REUTERS. São Paulo, uma vez mais na vanguarda do mundo, inaugura o conceito de "Urbanismo para os Carros". De acordo com o novo relatório Engate a primeira: a cidade para quem precisa, a prefeitura, em parceria com o Governo do Estado busca diminuir em 50% a circulação de pedestres das ruas até 2014 e eliminar por completo a vida humana na cidade até 2020. "A meta é ambiciosa, mas representa o real desejo daqueles que realmente vivem em São Paulo: os automóveis", diz um dos formuladores do projeto. Outra proposta polêmica que tramita na câmara é o projeto de lei 2012/146 que descriminaliza homicídios culposos e dolosos de ciclistas. No final do mês, uma delegação de vereadores e deputados deve ir para Brasília para pressionar a Justiça Eleitoral a autorizar a substituição do título de eleitor pelo CNH nos pleitos municipais.
quarta-feira, 14 de março de 2012
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Curriculum Vitae
O que é preciso?
É preciso fazer um requerimento
e ao requerimento anexar um currículo.
O currículo tem que ser curto
mesmo que a vida seja longa.
Obrigatória a concisão e seleção dos fatos.
Trocam-se as paisagens pelos endereços
e a memória vacilante pelas datas imóveis.
De todos os amores basta o casamento,
e dos filhos só os nascidos.
Melhor quem te conhece do que o teu conhecido.
Viagens só se for para fora.
Associações a quê, mas sem por quê.
Distinções sem a razão.
Escreva como se nunca falasse consigo
e se mantivesse à distância.
Passe ao largo de cães, gatos e pássaros,
de trastes empoeirados, amigos e sonhos.
Antes o preço que o valor
e o título que o conteúdo.
Antes o número do sapato que aonde vai,
esse por quem você se passa.
Acrescente uma foto com a orelha de fora.
O que conta é o seu formato, não o que se ouve.
O que se ouve?
O matraquear das máquinas picotando o papel.
("Escrevendo um Curriculum", Wislawa Szymborska)
É preciso fazer um requerimento
e ao requerimento anexar um currículo.
O currículo tem que ser curto
mesmo que a vida seja longa.
Obrigatória a concisão e seleção dos fatos.
Trocam-se as paisagens pelos endereços
e a memória vacilante pelas datas imóveis.
De todos os amores basta o casamento,
e dos filhos só os nascidos.
Melhor quem te conhece do que o teu conhecido.
Viagens só se for para fora.
Associações a quê, mas sem por quê.
Distinções sem a razão.
Escreva como se nunca falasse consigo
e se mantivesse à distância.
Passe ao largo de cães, gatos e pássaros,
de trastes empoeirados, amigos e sonhos.
Antes o preço que o valor
e o título que o conteúdo.
Antes o número do sapato que aonde vai,
esse por quem você se passa.
Acrescente uma foto com a orelha de fora.
O que conta é o seu formato, não o que se ouve.
O que se ouve?
O matraquear das máquinas picotando o papel.
("Escrevendo um Curriculum", Wislawa Szymborska)
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Elegia
uma vez seremos poetas esquecidos
algum outro herdará nossa tarefa
receberemos certidão de óbito
e nossa recompensa será uma harmonia grandiosa
Carregamos durante anos o pavilhão
e chegamos a conhecer tudo o que o homem pode conhecer
observaremos o sol poente em retiro
sem amargos e sem tormentos
como duas pessoas que sabem
que a vida é paz infinda
e não ambição
nem desejo de agradar
Ver tudo claro
sem cinismo
amar-se com afeição ilimitada
como duas pessoas envelhecidas que se foram para qualquer parte
para viver a sua própria poesia humana
aquilo que os filósofos chamam de felicidade espiritual
("Elegia", Vitezslav Nezval)
algum outro herdará nossa tarefa
receberemos certidão de óbito
e nossa recompensa será uma harmonia grandiosa
Carregamos durante anos o pavilhão
e chegamos a conhecer tudo o que o homem pode conhecer
observaremos o sol poente em retiro
sem amargos e sem tormentos
como duas pessoas que sabem
que a vida é paz infinda
e não ambição
nem desejo de agradar
Ver tudo claro
sem cinismo
amar-se com afeição ilimitada
como duas pessoas envelhecidas que se foram para qualquer parte
para viver a sua própria poesia humana
aquilo que os filósofos chamam de felicidade espiritual
("Elegia", Vitezslav Nezval)
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Tell me why
Sailing heart-ships
thru broken harbors
Out on the waves in the night
Still the searcher
must ride the dark horse
Racing alone in his fright.
thru broken harbors
Out on the waves in the night
Still the searcher
must ride the dark horse
Racing alone in his fright.
domingo, 21 de agosto de 2011
Filme #14
As boas viagens nunca me trazem respostas. No melhor dos casos boas perguntas. Seremos pretensiosos? E entre sonhos lindos lindos de Isaac Babel e jardins de Monet respondi que sim. Acho que sim. Por que não a pretensão a vida? Ao tudo? E acho também que adoraria acompanhá-la a Roma, a Londres ou Minas, caminhemos ao próximo disco de jazz na Etiópia ou convidemo-nos todos para mais uma taça de vinho onde os filhos do Paraíso conversam sobre cigarros e fantoches de sombra.
As boas viagens nunca me trazem respostas. No melhor dos casos conversas de bar que, mais e mais, me convencem que todas as boas conversas de bar são iguais no mundo inteiro e buscam as mesmas linduras de sempre e do sempre. O absoluto de um velho café com luz de neon. Um jogo de Amarelinha com as mesmas pessoas e pedras do tempo, lançadas do topo gentil da cidade.
As boas viagens nunca me trazem respostas. No melhor dos casos grandes acasos que, como as boas certeza da vida nos fazem seguir adiante, pelos trilhos dos versos de Blaise Cendrars ou então repousar, num desses muitos dias chuvosos os olhos num New York Herald Tribune que, entre notícias de crises e bombas e revoltas, anuncia um amor fulminante. O amor ao cinema. Nosso amor ao cinema. Nosso amor ao amor. Nosso amor.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Bloomsday
Com um dia de atraso, mas posto aqui minha homenagem ao único feriado literário do mundo. Feliz bloomsday! Riverun
terça-feira, 14 de junho de 2011
Filme #15
São os cântaros quebrados e refeitos, os silêncios. São as mãos e esse clima azulado que permeia os melhores cenários da mente. São os detalhes percebidos, rarefeitos, são as carícias todas, que se entranham nas salas da maneira mais forte que se tem notícia deste lado da alma. São as alegrias e também os maiores temores, são as melhores metáforas de Milan Kundera, inteiras, risíveis, manipuladas numa louca tentativa de conhecer as cruas certezas do corpo.
É a certeza de acordar sabendo que eles seguem lá, os sinais do seu corpo, e que sim, cada verso redobra os sentidos e que em ti subsiste um abismo. Mais as velhas lições, as tolices de ontem, de hoje e depois - o mundo dividido em duas partes e pesos, as densidades dos rios e do tempo, a lista infinita de teus rios afluentes e o sentido maior das palavras ditas e não ditas e que, no final das contas, poderiam ali, nos ter salvo, exatamente ali, na curva exata do fim de uma história.
Um fim? Um começo? Certamente a mudança, como a tarde que cai sobre Londres quando nasce a manhã noutro ponto. E antes que Damien Rice comece a cantar seus sopros de amor e todo mundo caia em pranto no cinema, eu caio antes, porque num quarto de hotel, em questão de segundos, Alice não ama mais Daniel. E, de maneira risível, quase patética, a vida demonstra em sua total crueldade, a insustentável leveza do ser, por vezes aberto, por vezes impenetrável , ou por vezes apenas perto demais de algo sincero e doloroso. Perto. Muito perto. Perto mesmo. Perto demais.
domingo, 12 de junho de 2011
O sol de Hölderlin
"Estar assim e a sós com os deuses, enquanto fluem a luz, a correnteza e o vento, e o tempo até seu término e neles deter meu olhar".
terça-feira, 7 de junho de 2011
FIlme #16
Outro dia estava lendo um livro sobre o Romantismo. Dizia o autor que para os primeiros românticos, ainda no século XVIII, o inferno era algo monótono, seriado e infinito como uma máquina. A origem desse pesadelo não poderia ser outra que o súbito terror de uma geração ante as novas traquitanas industriais devorando a vida e o tempo humano.
O mais doido é que esses ciclos do infinto também fascinam de uma maneira estranha e hipnótica, quase que nos oferecendo uma miragem enganadora, um golpe de vista. Fico sempre pensando naquelas histórias de chineses que sonhavam ser borboletas que sonhavam ser chineses que sonhavam ser borboletas ou então as imagens de peixes devorados por peixes maiores devorados por peixes ainda maiores, devorados por tubarões que eram devorados por monstros marinhos.
No fundo poderia ser só mais um quadro louco de Escher, mas as vezes o rebuscado vai adiante. Uma rede diabólica e bonita que nos envolve, uma teia, nos convencendo, lentamente, das falsas promessas narradas, como em um filme maldosamente escrito por Joseph Mankiewick e estrelado por Bette Davis.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
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